João Antônio Barros
Rio - Políticos em maus lençóis. A investigação dos parlamentares da CPI das Milícias mostra que, se os policiais formam o pelotão de frente nas comunidades , cobrando taxas e impondo o terror, os políticos integram a tropa de elite no esquema das milícias. Por isso, os deputados pediram às Câmaras Municipais para não diplomar os vereadores eleitos citados no relatório final da comissão e pede a criação dos conselhos de ética para apurar os crimes cometidos pelos parlamentares e a falta de decoro.
Entre os vereadores eleitos citados no documento aprovado ontem, o bombeiro Cristiano Girão e Carminha Jerominho ganharam espaço privilegiado na tipificação de crimes. Além de formar curral eleitoral, foram indiciados por lucrar com o crime organizado (exploração de segurança, ‘gatonet’ e transporte alternativo). Eles tiveram a prisão sugerida ao Ministério Público, juntamente com outros políticos, como o vereador reeleito Geiso Pereira Turques (PDT), de São Gonçalo , dono da casa de shows Castelo das Pedras, e Chiquinho Grandão (PV-Caxias).
Mas a família Jerominho é a campeã. Dois filhos, um genro, um irmão e o próprio vereador Jerônimo Guimarães Filho (PMDB) estão entre os indiciados pela CPI por ligações com as milícias. Sem contar os amigos e homens de confiança, caso do ex-PM Ricardo Teixeira Cruz, o Batman. Todos são acusados de ligação com a milícia Liga da Justiça, que domina o bairro de Campo Grande, na Zona Oeste. Jerominho e o irmão Natalino Guimarães estão presos na penitenciária Bangu 8 e respondem a processo por formação de quadrilha e homicídios.
O vereador Josinaldo Francisco da Cruz, o Nadinho, acusado de ser o mandante da morte do ex-inspetor Félix dos Santos Tostes, no ano passado, também foi ligado às milícias de Rio das Pedras, em Jacarepaguá, indiciado pela CPI. Elton Babu, vereador eleito, em outubro, pelo PT, e que chegou a ser ouvido na comissão, não foi relacionado no relatório final.