Porteiro de Carminha é assasinado
Maria Mazzei
Rio - A polícia investiga mais um crime que pode ter sido encomendado pela ‘Liga da Justiça’. O porteiro Uanderson Luiz Porto foi assassinado com oito tiros, ontem de madrugada, em frente ao Condomínio Girassol, na Estrada do Mendanha, onde morava e foi presa na véspera a candidata a vereadora Carminha Jerominho, que seria ligada ao grupo.
Foi Uanderson quem informou a dois policiais federais em que casa Carminha morava. Ele tinha se mudado para o local há três dias. Antes, os agentes haviam tentado cumprir o mandado de prisão em outro condomínio, também em Campo Grande, na casa do pai dela, o vereador Jerominho. Segundo o delegado da 35ª DP (Campo Grande) Marcus Neves, que investiga o crime, Uanderson teria sido morto por ter colaborado com a Polícia Federal (PF).
“Testemunhas disseram que Uanderson chegava ao condomínio às 5h30, quando dois homens numa moto dispararam vários tiros na direção dele e fugiram. Já sabemos que quando a PF chegou ao condomínio, foi ele quem informou aos policiais onde a candidata Carminha estava morando. Não descarto que o mataram por esse motivo”, disse Marcus Neves.
O delegado também informou que, além de ser porteiro de um dos condomínios comandados pela ‘Liga da Justiça’, Uanderson era investigado por ter ligações com o ex-PM e irmão de Carminha, Luciano Guinâncio Guimarães, foragido da Justiça. Uanderson chegou a ser levado por moradores da área ao Hospital Estadual Rocha Faria, em Campo Grande.
UNIFORME AZUL CLARO
Carminha e outras 12 pessoas presas sexta-feira estão em celas individuais na Penitenciária de Segurança Máxima de Catanduvas (PR). O Tribunal Regional Eleitoral, que expediu os mandados de prisão, entendeu que, num presídio no Rio, havia o risco de a organização continuar articulada. Carminha, primeira mulher presa em Catanduvas, está isolada numa cela de 7 metros quadrados com cama, mesa, banco, prateleira, pia e vaso sanitário, todos de concreto. O piso tem placas de aço para evitar escavações de túneis para fugas.
Ao entrar no presídio, Carminha e os 12 companheiros receberam um uniforme azul claro, chinelo de dedos e um sapato de lona. Também foram entregues a eles um kit de higiene e limpeza, com escova de dente e creme dental, recolhido diariamente pelos agentes penitenciários.
A PF está em operação permanente para prender Luciano, irmão de Carminha. O ex-PM estaria com medo de ser encontrado pela Polícia Civil e acabar morto. A família acusa o delegado Marcus Neves de estar liderando uma “perseguição política”, por isso a apresentação de Luciano à Justiça estaria sendo negociada. O grupo é acusado de formação de quadrilha armada, tentativa de homicídio e formação de curral eleitoral.
Mais notícias...
|