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27/3/2008 03:55:00

Prédio começa a ser demolido

Moradores se desesperam ao ver imóveis irem abaixo em Itaguaí com seus pertences dentro

Bruno Cunha

Bombeiros tentaram salvar alguns objetos de moradores durante a demolição do prédio. Foto: Alessandro Costa / Agência O DiaRio - Dor, choro e desespero marcaram ontem o início da demolição do bloco 11B do Edifício Brisamar, em Itaguaí, interditado desde a madrugada de sábado sob o risco de desabar. Moradores tiveram que ser amparados e até uma ambulância foi chamada para atender os que passaram mal. O início da demolição foi feito pela Empresa de Obras Públicas do estado (Emop).

Ao verem móveis, roupas e eletrodomésticos despencarem dos apartamentos, moradores se descontrolaram e tentaram impedir a perfuração das paredes de oito dos 20 quartos do bloco por uma máquina especial denominada pica-pau. Eles foram contidos por bombeiros.

Desesperada, a massoteraupeta Camila dos Anjos Gomes, 23 anos, que morava há dois no apartamento 407, não suportou ver seu quarto ser destruído e tentou entrar no prédio. Ela foi contida pela mãe, a dona-de-casa e proprietária do imóvel, Célia Maria, 54 anos. “Quero minha identidade, meu CPF e minhas roupas! Nossas coisas viraram lixo! Cadê o poder público para nos ajudar agora?”, gritava Camila, chorando.

Recém-casada, a estudante Nataly dos Anjos Silva, 25, se emocionou ao lembrar que chegara da lua-de-mel apenas um dias antes da inclinação do prédio, na Quinta-feira Santa.

A bancária Carla Valéria Maia, 30 anos, temia a derrubada do apartamento 406, onde morava há oito meses com o marido. O imóvel fica no prédio e será demolido nos próximos dias.

Erosão pode ser a causa

O presidente da Emop, Ícaro Moreno, informou que o acidente pode ter sido causado por uma erosão embaixo da base do edifício, decorrente de vazamento de esgoto e da infiltração de um canal pluvial. Segundo ele, a manutenção do prédio, construído há 30 anos, era precária e pode ter sido um dos motivos da inclinação do bloco 11.

Técnicos da Emop estão vistoriando todos os blocos interditados, mas não identificaram nenhum indício de anormalidade.

Ainda na tarde de ontem, Ícaro garantiu aos moradores desabrigados o pagamento dos auxílios social (R$ 3 mil) e aluguel (entre R$ 300 e R$ 700), até a construção de um novo prédio no local, prevista para começar em um mês.

Iniciada por volta das 15h30 de ontem e paralisada às 17h20 para a entrega de alguns pertences a moradores, a demolição deverá ser totalmente concluída somente no domingo.

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