Deputado é acusado de comandar paramilitares que atuam na Zona Oeste, junto com o irmão Jerominho
Rio - O deputado estadual Natalino Guimarães (DEM), acusado de chefiar a milícia conhecida como Liga da Justiça, que atua na Zona Oeste, foi preso no fim da noite de ontem numa operação que envolveu mais de 100 policiais militares e civis., comandada pelo delegado Marcus Neves, que investiga a ação de grupos paramilitares na região. O deputado foi detido em sua casa, na Rua Itatitara, em Campo Grande.
Por volta das 23h, policiais cercaram a casa de Natalino. Houve tiroteio e um homem identificado como Fábio Gordo, aliado do deputado na região, foi baleado. Natalino foi detido e levado algemado para a 35ª DP (Campo Grande). Seu irmão, o vereador Jerônimo Guimarães, o Jerominho (PMDB), também acusado de liderar as milícias, já estava detido.
O BRAÇO-ARMADO
Desde o início da operação de combate às milícias na região, a delegacia já prendeu 32 pessoas, entre eles policiais militares e bombeiros. Há cerca de 15 dias, em operação realizada com apoio da Polícia Federal no Rio Grande do Norte, agentes da Draco capturaram o policial civil André Luiz Malvar, genro de Jerominho e apontado como o braço armado do bando.
Malvar foi preso pela primeira vez em agosto do ano passado, na Região dos Lagos, no ataque ao sargento da PM Francisco César Silva Oliveira, o Chico Bala. Na ocasião, a mulher e o enteado do PM morreram. Malvar responde ainda na Justiça pelo assassinato do inspetor Félix dos Santos Tostes, chefe da Favela Rio das Pedras, em fevereiro de 2007.
A caçada da polícia a Malvar começou em janeiro deste ano quando ele fugiu da carceragem da Polinter, o Ponto Zero, em Campo Grande. Malvar responde ainda por formação de quadrilha armada, com Jerominho e Natalino, e mais oito acusados no Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio.
O delegado Neves apreendeu uma agenda com a contabilidade da milícia que pode levar à prisão de mais 42 pessoas envolvidas com paramilitares.
OSSADA ENCONTRADA NO MORRO
Ontem, policiais militares do 3º BPM (Méier) encontraram uma ossada no alto do Morro do Dezoito. Agentes da 24ª DP (Piedade) disseram que é possível ser de vítimas dos milicianos. Eles disseram desconhecer a informação de que traficantes estariam tentando tomar o morro novamente.
O delegado Cidade de Oliveira lamentou que ninguém compareça à delegacia para fazer denúncias formais contra grupos clandestinos, para que possam constar em inquérito. “Os moradores estão com medo de denunciar e isso atrapalha as investigações”, afirmou um agente.