Rio - Por volta das 10h, ostentando cartazes, gritando palavras de ordem, batendo em latas e panelas e usando narizes de palhaço e apitos, grupo de pelo menos 50 moradores da Favela da Carobinha — a maioria de mulheres, algumas com crianças de colo — foi até a porta da 35ª DP (Campo Grande) protestar contra a prisão do deputado Natalino José Guimarães. O clima ficou tenso meia hora depois, quando manifestantes tentaram invadir a delegacia, que recebeu reforço de 70 policiais civis e de 20 PMs. O trânsito na Rua Maria Teresa, onde fica a unidade, foi interditado.
Durante o tumulto, um helicóptero da Polícia Civil fez vôos rasantes sobre a delegacia para tentar dispersar os manifestantes. O delegado-adjunto Eduardo Soares usou gás de pimenta para conter os mais exaltados. Houve empurra-empurra e gritaria. Uma mulher, identificada como Maria, 47 anos, desmaiou e chegou a ser levada para o Hospital Rocha Faria. Pouco depois de liberada, ela voltou ao protesto.
“Infelizmente, essa gente é manipulada pelo bando de Natalino. São pessoas exploradas pelos paramilitares, que cobram delas mais caro pelo gás e outros serviços clandestinos”, disse Eduardo.
LIDERANÇA
A manifestação foi liderada por Ana Paula Pereira, 28 anos, que se disse mulher do ex-sargento Airton Padilha de Menezes, 42, preso em Cosmos no dia 14 por agentes da 35ª DP, acusado de ser o responsável pela arrecadação de Fabinho Gordo. Na ocasião, Padilha foi flagrado na rua com pistola 45. Em sua casa, havia cartazes de campanha da candidata Carminha Jerominho, filha do vereador e candidata à Câmara Municipal, mais três armas, talões de cheque, duas motos e um Celta.
“Meu marido é inocente. Policiais entraram na minha casa, forjaram flagrantes e agrediram minha família. Bateram muito nele. Sei que vão me matar, mas não vou me calar”, gritava Ana Paula. Indiciado por formação de quadrilha, porte ilegal de arma e triplo homicídio de PMs do 23º BPM (Leblon), Padilha também é apontado como motorista de Jerominho.
Por volta das 12h, a situação se acalmou. Parte do policiamento em frente à 35ª DP foi até a noite. “Esse grupo está sendo explicitamente manipulado pela filha do Jerominho, a chamada Batgirl. Mas é uma manifestação legítima”, disse o delegado titular Marcus Neves.
NATALINO DIVIDE CELA COM CINCO
Levado para Bangu 8, no Complexo de Gericinó, onde semana passada o ex-banqueiro Salvatore Cacciola começou a cumprir pena, Natalino está dividindo cela com cinco detentos, todos com Nível Superior. No local, de 15,75 metros quadrados, há três beliches, um banheiro com chuveiros e uma televisão de 14 polegadas.
Natalino está de uniforme, como todos os 103 presos da unidade: blusa branca e calça jeans. Ao chegar a Bangu 8, às 15h05, ele almoçou uma quentinha com arroz, feijão, purê de abóbora e peixe. As visitas só são permitidas às segundas e sextas-feiras, das 10h às 16h.
Também estão na unidade o inspetor da Polícia Civil Odnei Fernando da Silva, acusado de participar da equipe de milicianos que torturou equipe de O DIA, no Batan, e os ‘inhos’ do jogo do bicho — Hélio Machado da Conceição, Jorge Luís Fernandes e Fábio de Menezes Leão.
Ao serem transferidos, Fábio Gordo e o assessor de Natalino, Júlio César Pereira da Costa gritaram que eram inocentes e vítimas de perseguição.