Rio - Um encontro marcado pela dor e o sentimento de indignação. Foi assim o protesto, na tarde de ontem, pela morte de João Roberto, na Rua do Acre, em frente ao Tribunal Regional Federal (TRF), no Centro, onde trabalha a advogada Alessandra Amorim Soares, 35 anos, mãe do menino. Dezenas de parentes de vítimas de violência compareceram ao ato. Cada uma das histórias foi relatada para cerca de 300 pessoas — a maioria vestida de preto — que participaram da manifestação.
Os pais de João Roberto não comparecerem e foram representados pela avó do menino, a advogada Cirene Amorim, 70 anos. “Minha filha não pôde vir porque está muito abalada. Estamos esperando uma mudança. Quero ver se nossos governantes conseguem olhar para o povo e ver que ele está sofrido”, desabafou.
O protesto começou com uma carreata de 200 táxis, que partiu do Grajaú. Os motoristas seguiram, com cartazes com pedido de Justiça e fitas pretas, até o TRF. O trânsito ficou interrompido por mais de uma hora.
As mães dos três jovens do Morro da Providência, executados depois de entregues por militares a traficantes, disseram que choraram ao saber do caso de João Roberto. Também muito emocionada estava a artesã Ana Maria Rodrigues, mãe da tenente da Aeronáutica Larissa Carolina Rodrigues Andrade Gorchinsky, 28 anos. A jovem foi executada com vários tiros há um ano por policiais militares quando estava dentro do carro com o marido, em Campo Grande. “Até hoje, não tivemos uma resposta”, disse ela.