Rio - Após entregar três jovens moradores do Morro da Providência a traficantes do Complexo de São Carlos, onde foram torturados e mortos no dia 14 de julho, os militares acusados do crime teriam ‘comemorado’ dançando um funk em ‘homenagem’ ao Terceiro Comando Puro (TCP), em um palanque na Providência. A denúncia consta em depoimentos de testemunhas à Justiça.
Segundo um dos relatos, a música vinha do celular do terceiro-sargento Leandro Maia Bueno. Ainda consta no documento que, quando o grupo do Exército voltou à Providência, o sargento teria dito que os rapazes haviam sido deixados com bandidos.
Antes de serem mortos, Wellington Gonzaga Ferreira, David Wilson da Silva e Marcos Paulo Campos foram conduzidos a um quartel do Exército, no Santo Cristo. Seus parentes e amigos seguiram para lá. Em depoimentos, eles disseram que chegaram a ver os jovens sendo obrigados a fazer exercícios de agachamento continuamente. A irmã de um dos rapazes alega que o sargento Maia chegou a dizer a ela para que se despedisse do irmão porque ele seria entregue ao tráfico. No entanto, o jovem teria dito que voltaria para casa porque não tinha nada a esconder.
Para preservar a integridade das testemunhas, as audiências estão sendo feitas por meio de videoconferência — os 11 réus ficam em uma sala, onde assistem os depoimentos por uma TV, mas não vêem o rosto de quem fala.
Mês passado, no intervalo de uma das sessões, quando o juiz e o promotor deixaram a sala, o advogado de um dos réus simulou uma dança em frente à câmera da videoconferência diante das testemunhas que citaram a ‘comemoração’ dos militares. Em outra sala, o tenente responsável pela escolta dos acusados respondeu com o mesmo movimento. Em seguida, conversaram pelo celular. O juiz Erik Navarro Wolkart informou o episódio ao Comando Militar do Leste, Ministério Público Militar, Ministério Público Federal e OAB. O fato será analisado como possível tentativa de intimidação às testemunhas.