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02/12/2008 02:56:00

Quando o ‘X-9’ vira policial

Imagens obtidas por ‘O DIA’ mostram informantes empunhando fuzis e atuando como agentes

Andréa Uchôa e Maria Mazzei

Rio - Um ex-PM e um bombeiro indiciados pela CPI das Milícias, da Alerj, por integrar grupos paramilitares, foram flagrados pelo circuito interno de segurança de uma lanchonete na Zona Oeste ostentando fuzis ao lado de agentes da Polinter. Os dois tinham autorização da cúpula da Segurança Pública do Rio para atuar como informantes da especializada, mas, na verdade, vinham agindo como se fossem policiais. Usavam armas da própria delegacia e circulavam em carros oficiais, sem demonstrar qualquer receio de que fossem descobertos, como mostra um vídeo gravado no último dia 21.

Confira o vídeo:

Foto Reprodução Vídeo

Nas imagens obtidas com exclusividade por O DIA, o ex-PM Herbert Canijo da Silva, o Escangalhado, e o 3º sargento bombeiro Carlos Alexandre Silva Cavalcante, o Gaguinho, chegam ao estabelecimento em duas viaturas da Polinter. Eles estavam acompanhados pelos policiais civis identificados apenas como Diogo, Lício, Pereira e um quarto ainda não identificado, além de um PM do 4º BPM (São Cristóvão), também informante.

Na sexta-feira, Gaguinho, Diogo e Lício já tinham sido flagrados e presos pela Corregedoria da Polícia Civil (Coinpol) justamente porque o bombeiro estava com um fuzil e atuando como policial. No entanto, horas depois, os três foram soltos porque, segundo o delegado Marcus Neves, da Polinter, tudo não passou de um mal entendido.

Ao ver as imagens, Marcus Neves reconheceu os agentes de sua equipe e os informantes. Ele garantiu que todos serão afastados imediatamente e responderão por porte ilegal de arma de fogo de uso restrito e usurpação de função pública. Além de Gaguinho e Escangalhado, os agentes da Polinter e o PM também responderão pelos mesmos crimes por terem sido coniventes com a situação.

Ontem, Marcus Neves determinou o afastamento dos policiais e a apreensão de suas armas e distintivos. A Polinter instaurou inquérito que será encaminhado para a 35ª DP (Campo Grande) e para a Coinpol para que o caso seja apurado.

CGU INSTAURA SINDICÂNCIA

A Corregedoria Geral Unificada (CGU) instaurou sindicância administrativa e determinará que a Corregedoria da Polícia Civil apure os crimes de usurpação de função pública e porte ilegal de arma de calibre restrito, cujas penas somadas podem chegar a oito anos.

“Vamos apurar também se o delegado tinha conhecimento do que vinha ocorrendo. Se comprovado, ele também poderá responder pelos mesmos crimes”, disse o desembargador Gustavo Leite, chefe da CGU.

Para o deputado Marcelo Freixo (PSOL), que presidiu a CPI das Milícias, o caso é muito grave e precisa ser apurado. “Toda polícia do mundo trabalha com informante, mas daí a você ter um ex-PM e um bombeiro trabalhando irregularmente como policiais, armados e em viaturas, é inadimissível”, disse Freixo, que ontem se reuniu com o secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, para tratar de outros assuntos e aproveitou para falar sobre o vídeo.

Miliciano é eleito em Rio das Pedras

Indiciado na CPI das Milícias, Jorge Alberto Moreth, o Beto Bomba, foi eleito no domingo presidente da Associação de Moradores de Rio das Pedras, em Jacarepaguá. Investigado pela 32ª DP (Taquara) por homicídio, o novo líder comunitário era candidato único, uma tradição nas eleições em áreas comandadas pelos grupos paramilitares.

Beto Bomba é apontado em depoimentos na 32ª DP como o responsável pela cobrança das “taxas” e “juros” da Areal Credi Fomentos, uma empresa suspeita de fazer agiotagem em Rio das Pedras. O empreendimento pertenceu ao major PM Dilo Pereira Soares Júnior e, hoje, está em nome do sargento Dalmir Pereira Barbosa. Os dois estão na lista dos 226 indiciados pela CPI.

Jorge Alberto substitui Eli Bittencourt, que ficou famoso nas eleições municipais ao pedir ao senador Marcelo Crivella (PR), então em campanha à prefeitura do Rio, para deixar a comunidade. Outro ex-presidente investigado por ligação com a milícia local é o atual vereador Josinaldo da Cruz.

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