Temporal de manhã parou diversos bairros do Rio. Previsão é de tempo bom a partir de hoje
Rio - O temporal que desabou sobre diversas cidades do Rio ontem matou o pedreiro João Batista Cunha, 44 anos, em Petrópolis. Ele morreu ao ser atingido por um raio na localidade conhecida como Castelinho, no bairro Morim, de manhã. Na capital, a chuva deu nó no trânsito. A Defesa Civil recebeu mais de 70 chamadas na Região Metropolitana. Em Niterói, desabamento deixou duas famílias desalojadas.
O pedreiro estava com três amigos em local de mata fechada onde, segundo os bombeiros, eles iriam capturar pássaros. O grupo de resgate só conseguiu encontrar o corpo por volta das 15h30. Paramédico da corporação informou que João estava com o rosto e o pescoço totalmente carbonizados. Os outros dois não se feriram.
MAIS CHUVA EM PIEDADE
Houve temporal de madrugada e de manhã no Rio. O bairro onde mais choveu foi Piedade, com índice pluviométrico de 63,2 mm, segundo dados do sistema Alerta Rio, da prefeitura. Na Praça Mauá, choveu o equivalente a 30% do previsto para o mês inteiro no local.
A pista molhada e alagamentos provocaram caos nas ruas do Rio de manhã. Sinais de trânsito no Maracanã, Flamengo e Copacabana ficaram apagados por meia hora. Houve um engavetamento na Linha Vermelha com sete veículos, sem feridos. “Levei mais de uma hora e meia do Jardim Botânico a Laranjeiras, onde trabalho. Normalmente, não demoro nem 20 minutos” contou a produtora Nina Franco Ribeiro, 25 anos. Casas em Pilares e Engenho de Dentro ficaram destelhadas.
Quem pôde tirou lucro do dilúvio. No Centro, homem de bicicleta cobrava R$ 2 para transportar pedestres por ruas alagadas. Caminhão que transportava bebida estacionou junto à porta da Igreja de Santo Antônio dos Pobres, na Rua dos Inválidos, e fiéis subiram na caçamba do veículo para desviar das poças.
Segundo a Secretaria Municipal de Obras do Rio, a chuva acima do nível normal arrastou para bueiros o lixos das ruas e das encostas, causando alagamentos.
Do outro lado da Baía de Guanabara, mais complicação. Sete bairros de São Gonçalo sofreram com alagamentos e deslizamentos de terra. Em Niterói, parte de uma casa desabou e outra foi interditada no Cafubá, desalojando duas famílias.
‘CHUVAS DE VERÃO’ EM PLENO INVERNO CARIOCA
A tempestade de ontem foi causada pelo choque de uma frente fria que se deslocava lentamente pelo Sudeste com uma massa de ar frio vinda rapidamente do Sul. O que chamou a atenção do carioca, entretanto, foi que em alguns pontos chovia torrencialmente, e em outros, fazia sol. O meteorologista do Climatempo André Madeira explica que essa tempestade forma nuvens do tipo cúmulo-nimbo, comuns nas chuvas de verão. “Os nimbos trazem fortes relâmpagos, rajadas de vento e chuva intensa”, ensina. O fenômeno pegou até os meteorologistas de surpresa. O Climatempo esperava chuvas menos intensas e à tarde.
Os bairros do Tanque, Urca, Grota Funda e Jardim Botânico foram os que apresentaram os maiores índices pluviométricos: 60,2 mm, 49,4 mm, 48,6 mm e 27,4 mm, respectivamente.
A temperatura mínima registrada ontem foi de 14,4 graus no Alto da Boa Vista, e a máxima, de 23,9 graus, em Santa Cruz. Para este fim de semana, a previsão é de tempo bom, com direito a sol e praia — mas os termômetros não devem subir muito: as temperaturas oscilarão entre 13 e 28 graus hoje e amanhã.