Rio - Relatório da Subsecretaria de Inteligência enviado à Assembléia Legislativa (Alerj) aponta que a prioridade da polícia no combate às milícias tem sido desarticular a quadrilha que atua em Campo Grande. Segundo o documento, das 83 pessoas presas desde o início do ano passado na cidade do Rio — suspeitas de envolvimento com grupos paramilitares —, mais da metade (44) era do bairro.
O local, segundo a polícia, é controlado pela Liga da Justiça — grupo no qual o vereador Jerônimo Guimarães Filho (PMDB) e o deputado estadual Natalino Guimarães (DEM) são apontados como chefes. Agora, segundo o relatório, restam poucos membros da quadrilha soltos, a maioria de civis.
FALTAM 419
Segundo o documento, ainda estariam soltas 419 pessoas das zonas Norte, Oeste, Baixada Fluminense, Niterói e São Gonçalo e Região dos Lagos. A comunidade com mais pessoas identificadas é a de Rio das Pedras, em Jacarepaguá: 40 suspeitos da região já estão identificados pela Secretaria de Segurança. Nenhum deles, no entanto, foi preso até agora. Todas os citados na série de reportagens de O DIA iniciada no em 6 de julho aparecem no relatório da Subsecretaria de Inteligência.
A divulgação dos dados abriu uma crise entre os membros da CPI das Millícias da Alerj e o secretário de Segurança. Beltrame acusou a Assembléia de ter entregue o levantamento ao jornal ‘O Estado de S. Paulo’ e já afirmou que não encaminhará outros documentos sigilosos à comissão.
Ofendido, o deputado Paulo Ramos (PDT) entregou ontem carta dando um ultimato à comissão: caso Beltrame não seja convocado para depor, ele vai pedir para sair da CPI. “Não sei nem se ele próprio (Beltrame), acostumado ao espetáculo, foi quem vazou o documento”, insinuou.
A CPI decidiu ainda que vai solicitar à secretaria que investigue o vazamento do relatório. A comissão ainda discutirá, em sua próxima sessão, a convocação de Beltrame para comparecer à Casa. “Ele (Beltrame) tem o dever legal de enviar dados e foi infeliz ao afirmar que houve o vazamento através da CPI”, afirmou o deputado Marcelo Freixo, presidente da CPI. Procurada, a secretanão quis se pronunciar.
‘LIGA DA JUSTIÇA’ ACUSADA DE ORDENAR MORTES
Advogado da ONG Federação Internacional dos Sem-Teto (Fist), André de Paula pediu proteção policial ao juiz Paulo César Vieira de Carvalho, durante depoimento ontem no Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio. Ele foi uma das cinco testemunhas de acusação ouvidas no processo de formação de quadrilha armada movido contra o deputado estadual Natalino Guimarães, o vereador Jerônimo Guimarães, o Jerominho, e mais nove pessoas.
Além dos políticios, estiveram no Fórum, acompanhando os depoimentos, André Malvar, genro de Jerominho; Gladson Gonçalves; Júlio César dos Santos, o Julinho Tiroteio; Ricardo Teixeira Cruz, o Batman; e Fábio Pereira de Oliveira, o Fabinho Gordo. A audiência durou mais de seis horas.
O advogado disse ter sido jurado de morte pelo bando de Natalino e Jerominho após denunciar a atuação da ‘Liga da Justiça’ na campanha eleitoral de 2006. Primeiro a ser ouvido, o coronel Dario Cony dos Santos, ex-comandante do Regimento de Polícia Montada, também contou ter recebido várias ligações do Disque-Denúncia relatando planos de atentados contra ele quando estava à frente do batalhão. (Colaborou Carol Medeiros)