Rio - Um Papai Noel de farda e empunhando um fuzil ao lado de ‘caveirão-trenó’ quase roubou a cena, ontem de tarde, durante a solenidade de inaguração do Posto de Policiamento Comunitário do Morro Dona Marta, em Botafogo. A imagem, nada ortodoxa do ‘bom velhinho’, aparece em cartões de Natal enviados pelo coronel Marcus Jardim, do 1º Comando de Policiamento da Área (CPA), a deputados e oficiais, o que provocou críticas do governador Sérgio Cabral logo que ele chegou à nova companhia, instalada em uma antiga creche no alto da comunidade.

“A Polícia Militar não entende nada de comunicação. É boa para prender bandido”, criticou Cabral, assim que saiu do carro e cumprimentar oficiais, entre eles, o coronel Jardim. O secretário de estadual de Segurança, José Mariano Beltrame, foi mais enfático: “Completamente desnecessário. O coronel é um excelente policial, mas um péssimo artista”.
A situação ficou um pouco mais amena no palanque, onde um Jardim constrangido ouvia, ao lado de outros comandantes e do prefeito eleito Eduardo Paes, as mudanças no Dona Marta — entre elas o novo policiamento comunitário, que vai ser feito por 120 recrutas. “Sabemos que o Rio tem, hoje, somente na capital, 350 áreas sob a influência do tráfico.
O Dona Marta está fora desta conta, livre da lei do fuzil” disse Beltrame, que, ontem, anunciou gratificação de R$ 500 para os 74 PMs que atuam como instrutores do Programa Educacional de Resistência às Drogas (Proerd). A próxima comunidade a sofrer intervenção ainda não foi escolhida. “Podemos colocar em outras áreas antes da Favela do Batan, que é apontada como a próxima”, disse Beltrame.
Promessa de reajuste para a polícia
O governador Sérgio Cabral disse, ontem, durante o evento, que está previsto reajuste no salário dos policiais no próximo ano. A medida faz parte de uma política para aumentar o poder aquisitivo da categoria. Enquanto falava para os moradores, ele pediu a colaboração para que a comunidade continue sendo o modelo de segurança pública do Rio.
“Sei que tem muito vagabundo mandando recado, dizendo que isso é onda do governador e que tudo logo vai acabar. Mas não vai acabar não, vamos levar esse projeto para outras comunidades. É uma vergonha para o Rio de Janeiro ter áreas ocupadas pela mílicia e pelo tráfico”, disse Cabral.
Na semana que vem, a Light vai iniciar o cadastramento de 1,6 mil famílias da comunidade para saber qual a real condição dos imovéis. o projeto prevê a modernização de toda rede de distribuição, com instalação de 34 transformadores e de novos postes. Também está previsto a instalação de TV a cabo no valor de R$ 30 por casa. Hoje, moradores pagam R$ 120.