Rio - A série de reportagens de O DIA, base da investigação desencadeada pela Polícia Federal e que levou ao indiciamento da nata da milícia do Rio de Janeiro, foi publicada em julho depois de três meses de apuração. Nesse período, os repórteres descobriram quem eram os ‘chefes’ dos grupos paramilitares que exploram hoje as comunidades carentes do Rio. E observaram quem apresentava indícios de enriquecimento ilícito e ostentava riqueza. Com as informações, as equipes examinaram os nomes de 43 pessoas, entre investigados e parentes próximos, nos cartórios de imóveis, nos arquivos da Junta Comercial, do Detran, da Capitania dos Portos e do Tribunal de Justiça. Cruzaram informações com o banco de dados da Receita Federal, da Justiça Eleitoral e das corregedorias das Polícias Civil e Militar e do Corpo de Bombeiros.
Ao todo, no fim do trabalho de apuração, os jornalistas analisaram 131 certidões produzidas por 22 cartórios no Rio de Janeiro, Niterói, São Gonçalo, Região dos Lagos, Angra dos Reis e Mangaratiba. Depois, percorreram os endereços residenciais levantados nos cartórios e foram às empresas e estabelecimentos comerciais que apareciam como propriedade dos investigados. Usaram o banco de dados da Prefeitura do Rio e corretores para precisar o valor dos imóveis.
O resultado do trabalho foi publicado em O DIA ao longo dos últimos quatro meses e mostrou, por exemplo, que os suspeitos de comandar as milícias vivem em apartamentos de alto luxo com carrões, lanchas e mansões à beira-mar — um padrão de riqueza que em nada lembra a pobreza das comunidades que exploram.