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15/08/2008 09:59:00

Situação está aparentemente sob controle em Vigário Geral

Pelo menos três pessoas morreram e quatro ficaram feridas. Trens voltam a circular e tráfego é liberado na Rua Bulhões Marcial

Rio - Desde as 9h30 desta sexta-feira, o clima já é de aparente tranqüilidade na Favela de Vigário Geral, na Zona Norte do Rio. Mais cedo, soldados do 16º BPM (Olaria) e traficantes travaram intenso tiroteio. O clima ficou muito tenso na comunidade e moradores entraram em desespero. Dois homens, ainda não identificados, foram baleados e chegaram mortos no Hospital Getúlio Vargas, na Penha, nesta manhã. 

De acordo com a Secretaria municipal de Educação, quatro escolas e três creches da rede municipal de ensino do Rio localizadas em Vigário Geral e Parada de Lucas, no subúrbio, fecharam suas portas nesta sexta-feira.  Ao todo, 3.071 alunos estão sem aula.

Na noite desta quinta-feira, após os bandidos iniciarem o confronto pelo controle do tráfico de drogas local, cinco pessoas foram baleadas e levadas para o Getúlio Vargas. O taxista Anderson Rodrigues Cardoso, de 29 anos, tingido por um tiro no peito em casa, não resistiu aos ferimentos e morreu no início da madrugada.

Bruna Regina Cerqueira das Candeias, de 21 anos, levou um tiro de raspão na cabeça; Sueli de Souza dos Santos, 46, foi atingida na perna esquerda e Jonhatan Maia de França,  20, foi baleado de raspão na testa. Todos já foram medicados e liberados. Mozart Cruz Freitas, de 24 anos, que deu entrada na unidade na manhã desta sexta-feira ferido por um tiro na perna esquerda também já foi liberado.

Trens voltam a circular

A circulação de trens, que foi interrompida no ramal de Saracuruna por medida de segurança, voltou ao normal às 8h45. As composições só estavam trafegando entre a Penha e a Central do Brasil. As estações de Parada de Lucas, Cordovil, Vigário Geral, Brás de Pina, Gramacho, Saracuruna e Jardim  Primavera, em Duque de Caxias, ficaram fechadas, com grande aglomeração de passageiros. O tráfego também ficou parcialmente interditado na Rua Bulhões Marcial, mas neste momento flui normalmente.

A favela está em guerra desde o fim da tarde desta quinta-feira. Pouco depois das 17h, pelo menos 50 bandidos do Comando Vermelho (CV) atacaram a comunidade, que há um ano era controlada pela facção Terceiro Comando Puro (TCP). Houve intenso confronto e oito pessoas teriam sido mortas. Os corpos estariam jogados pela favela, segundo um morador.

Nesta sexta, policiais ocupam o morro para tentar localizar os supostos cadáveres. Toda a área está sendo vasculhada. A PM informou que há um mangue na comunidade e que, se os corpos foram jogados no local, a localização ficará muito difícil.

Comando Vermelho ataca Vigário

Desde o dia 1º, quando o chefe do tráfico de Parada de Lucas Jorge Willians Oliveira Bento, o Furica, foi morto pela polícia, uma guerra pelo controle da vizinha Vigário Geral já se anunciava. Apesar dos alertas dos setores de inteligência da polícia, a invasão ocorreu no fim da tarde de ontem. Pouco depois das 17h, quando centenas de moradores inocentes chegavam do trabalho e crianças brincavam nas ruas, pelo menos 50 bandidos do Comando Vermelho (CV) atacaram a comunidade, que há um ano era controlada pela facção Terceiro Comando Puro (TCP).

Duas mulheres e um rapaz foram baleados. Sueli de Souza dos Santos, 42 anos, foi atingida por tiro na perna esquerda; Bruna Regina Cerqueira das Candeias, 24, de raspão na cabeça, e Jonathan Maia França, de 20, também de raspão na cabeça. Todos foram para o Hospital Getúlio Vargas (HGV). Um morador afirmou ter visto oito corpos na rua próxima à sua casa.

A batalha causou pânico e, por volta das 17h30, o trem parou de circular entre Penha e Saracuruna, em Caxias. A Rua Bulhões Marcial ficou fechada. Na Linha Vermelha, motoristas se apavoraram e alguns abandonaram seus carros. A pista de acesso à Avenida Presidente Kennedy por cerca de 20 minutos. O medo se estendeu à Avenida Brasil, já que bandidos da Cidade Alta, em Cordovil também ligados ao CV, faziam disparos de fuzil contra os rivais de Lucas.

Bandidos disfarçados

O ataque, segundo informações obtidas pela 38ª DP (Brás de Pina) e pelo 16º BPM (Olaria), teria reunido bandidos do Complexo da Penha, da Beira-Mar, em Caxias, da Nova Holanda, no Complexo da Maré, e do Dique e da Furquim Mendes, em Jardim América, de onde partiu a maioria.

Alguns invasores teriam entrado se fingindo de trabalhadores, com pistolas e granadas nas mochilas. Em seguida, outro grupo chegou a Vigário dividido num caminhão-baú, cerca de dez Kombis e um carro clonado da Polícia Civil: “Eles gritavam ‘É nós, é nós! Agora acabou o esculacho”, contou um morador.

Policiais de seis batalhões foram até a Bulhões Marcial, mas não conseguiram chegar à favela. Segundo os próprios PMs, a ordem do Comando Geral era para que nem o blindado entrasse.

Às 19h30, motoristas entraram pânico na Linha Vermelha, em São Cristóvão, onde bandidos abandonaram dois carro e roubaram outro.

Drácula teria sido um dos líderes da invasão

Em menos de uma semana, esta é a segunda guerra promovida pelo Comando Vermelho. Sexta-feira, um ‘bonde’ liderado por Alexander de Jesus Carlos, o Choque, principal ‘homem de guerra’ da facção, atacou o Morro do Urubu, em Pilares, dominado pela facção Amigos dos Amigos (ADA).

Na batalha de ontem, um dos líderes da invasão teria sido Marcelo Gomes Ribeiro, o Drácula. Sua prisão havia sido decretada ano passado pela 2ª Vara de Maricá, após outra tentativa de invasão a Vigário Geral, em 4 de setembro. Durante a investigação, a 82ª DP (Maricá) prendeu Roseli dos Santos Costa, a Rose Peituda.

Agora, a polícia tenta descobrir se outros bandidos daquele grupo participaram deste ataque junto com Drácula. Entre eles estaria um dos filhos de Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar.

No dia 4, durante uma operação na Favela da Mangueirinha, em Duque de Caxias, a Polícia Civil encurralou um bando que já se preparava para atacar Vigário Geral. Dez pessoas morreram no confronto.

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