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23/7/2008 02:20:00

Suspeitos contra suspeitos

Preso e ferido na operação, Fábio Gordo reclama da suposta presença de milicianos rivais

Rio - Preso na casa de Natalino após ser baleado na mão esquerda, o fugitivo da Justiça Fábio Pereira de Oliveira acusou policiais que participaram do cerco de ser integrantes de uma milícia rival à ‘Liga da Justiça’. Fábio Gordo disse que os policiais da milícia rival tentaram matá-lo durante a operação.

Segundo ele, o PM Francisco César Silva Oliveira, o Chico Bala, o ex-PM Herbert Canijo da Silva, o Escangalhado, e o sargento bombeiro Carlos Alexandre Silva Cavalcante, o Gaguinho — todos citados em inquéritos que investigam a atuação de paramilitares — atiraram contra ele e os outros homens que estavam na residência do deputado estadual.

“Foi a Core quem me salvou”, disse ele, que garantiu ser promotor de eventos e alegou inocência da acusação de homicídio: “Não matei ninguém, como estão dizendo. Eu ia me apresentar na delegacia esta semana”.

Numa entrevista ontem à tarde, o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, o chefe de Polícia Civil, Gilberto Ribeiro, e o delegado da 35ª DP, Marcus Neves, não quiseram responder sobre a legalidade da participação de Chico Bala, Escangalhado e Gaguinho na ação.

Moradores vizinhos — onde parentes do deputado moram em diversas casas — afirmaram que os policiais desceram dos carros lançando granadas e atirando para o alto.

A casa da aposentada J., 66 anos, foi atingida por dois tiros. Ela viu homens encapuzados e disse que muitos debochavam da família do parlamentar.

Rodrigo Guimarães, 20, filho de Natalino, contou que abria o portão para o pai levar o motorista até o ponto de ônibus quando foi rendido pelos agentes. “Meu pai deixou dois delegados entrarem e revistarem a casa toda. Não encontraram nada! Só minha família estava aqui. Meu pai não autorizou a entrada do Marcus Neves, que invadiu o jardim de casa, dizendo que tinha encontrado uma submetralhadora dentro numa bolsa no gramado.

Outro cortou os fios da câmera de vigilância do portão e me ameaçou se alguma imagem fosse divulgada depois”, acusou ele.

Vizinha do deputado, Verônica Ferreira disse que os filhos brincavam na rua quando os policiais chegaram. “Os moradores estavam na calçada conversando. Meu filho de 13 anos andava de bicicleta e o menor, de 8, ficou entre as viaturas. Fiquei em pânico. Eles chegaram gritando para que todo mundo fosse para suas casas, que ia chover bala! E foi muito tiro mesmo”, disse.

Os policiais também estiveram na casa de Jerominho, no Condomínio Maria Clara, ao lado da casa de Natalino. Moradores contaram que uma viatura da Core se chocou com o portão até que arrebentar o cadeado. Nervoso, o vigia pedia calma.

Tiros no muro e escritório todo revirado

No muro da casa do vereador havia dois buracos de tiros. Parte do portão teria sido derrubado a chutes por Chico Bala, segundo a mulher de Jerominho, Eliene Guinâncio Guimarães, 53. “Ele ainda me chamou de vagabunda”, afirmou.

No condomínio funciona um centro eleitoral da candidata a vereadora Carminha, filha de Jerominho. O carro da campanha estava com os vidros quebrados e seu escritório, revirado. Um computador e uma TV teriam sido levados. Veículos de outros moradores teriam sido atingidos por disparos de policiais e rebocados à delegacia. Carminha afirmou que os policiais fizeram mais de 100 disparos e que por pouco sua família não foi atingida.

“Na campanha, o Sérgio Cabral veio pedir votos e apertou a mão do meu tio na frente de todos. Antes não tinha problema e agora tem?”, disse ela. Filho de Jerominho, César Guinâncio Guimarães acusou o delegado Marcus Neves de querer destruir sua família. “Esse negócio de milícia não existe e não houve tiroteio. Só os policiais atiraram. Que polícia é essa, governador?”, indagou, exibindo cápsulas.

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