Tráfico volta a ocupar pontos da favela e a pichar muros
Francisco Edson Alves
Rio - Bastou os 60 homens do Exército saírem do Morro da Providência na tarde de terça-feira para os ‘soldados’ do tráfico voltarem a dominar a favela. Ontem de manhã, traficantes armados com fuzis foram vistos nas imediações da prefeitura, perto da Rua Barão da Gamboa e próximo ao canteiro de obras do Cimento Social, onde muros e paredes de casas amanheceram pichados com inscrições alusivas à facção criminosa Comando Vermelho, que controla a comunidade. Na manhã de terça-feira, o barracão da empresa Edil foi lacrado.
“Era tudo o que os bandidos queriam. Mandaram olheiros nos avisar que tudo estava voltando ao normal, ameaçando quem fizer denúncias”, comentou um morador. Nos muros, há referências a RL (Rogério Lengruber, fundador do Comando Vermelho), Leonardo Marques da Silva, o Sapinho, irmão de Evanilson Marques da Silva, o Dão, ambos acusados de ser os chefões do tráfico na Providência, presos em Bangu 3. As paredes têm ainda outros avisos: “CV é a Provi”, “Provi ‘é nóis’/CV”. Com medo de possíveis conflitos, os moradores evitaram ficar circulando pela comunidade durante todo o dia, ao contrário dos últimos meses.
Pela manhã, apenas duas viaturas do Grupamento de Rondas Ostensivas Nazareth Cerqueira (Ronac), subordinado ao Batalhão de Choque, reforçavam a segurança em pontos da favela, feita por pelo menos 60 policiais do 5º BPM (Praça da Harmonia) e do Grupamento de Policiamento em Áreas Especiais (Gpae). O comandante do 5º BPM, tenente-coronel Edivaldo Camelo, disse que as rondas de rotina voltaram a ser feitas, mas que não “há nenhuma preocupação com possível guerra entre traficantes na região”. “Isso não existe. Não há a mínima possibilidade”, garantiu. Já o comandante do Gpae, capitão Leonardo Zuma, “por precaução”, determinou, à tarde, que os principais acessos fossem reforçados.
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