Thiago Prado e Ananda Rope
Rio - A ação das Forças federais no Rio, para garantir a segurança do processo eleitoral, vai atingir pelo menos 20 áreas na Região Metropolitana, onde vivem cerca de 1 milhão de pessoas. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) encaminhou, ontem à noite, ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva o ofício que pede o envio das tropas. Segundo o presidente do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ), Roberto Wider, entre as “regiões sensíveis” estão favelas do Rio e locais específicos dos municípios de Duque de Caxias, Nilópolis, São Gonçalo e Nova Iguaçu. O principal objetivo é inibir a ação das milícias e do narcotráfico. “Se houver confronto, será lamentável”, afirmou Wider.
A expectativa é de que Lula assine o documento ainda hoje e o encaminhe o quanto antes ao ministro da Defesa, Nelson Jobim, que definirá o contingente e quando começará a operação. O pedido foi oficializado um dia depois da chacina que matou sete moradores da Favela do Barbante. Os detalhes da operação e os locais que receberão reforço não foram divulgados.
“Não deve demorar porque estávamos conversando com o ministro Jobim há pelo menos uns 12 dias”, afirmou o presidente do TSE, ministro Carlos Ayres Britto, que se reuniu com Jobim na manhã de ontem. No encontro, eles estudaram o relatório com mapeamento das áreas na Região Metropolitana que necessitam do reforço de segurança, entregue pelo presidente do TRE do Rio. “São mais de 20 áreas e há previsão de que o número aumente”, contou Wider, que revelou em julho que sete localidades do Rio poderiam ser consideradas “conflagradas”.
Segundo o presidente do TSE, o governador Sérgio Cabral tem cobrado incessantemente a vinda do Exército. “Ele nos requereu o envio imediato, o mais rápido possível, da coalizão de Forças. E manteve contato conosco nos últimos dias por nada menos do que quatro vezes, inclusive hoje (ontem). Estamos fazendo um trabalho conjunto”, afirmou.
Ayres Britto explicou que a coalizão terá coordenação operacional das Forças Armadas, mais precisamente do Exército, com a participação da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal e das polícias estaduais (Militar e Civil).
A coordenação institucional-jurídica caberá ao TSE, ao TRE e aos juízes eleitorais.O juiz Luiz Márcio Pereira foi indicado como coordenador. As despesas serão bancadas pelo TSE, que já garantiu ter recursos próprios para sustentar a ação.