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01/09/2008 02:37:00

Túneis já não isolam mais a violência no Rio

Antes menos expostos, bairros da Zona Sul viram áreas de risco

Vânia Cunha


Rio - Rotina de assaltos está transformando bairros da Zona Sul — principalmente, Laranjeiras, Botafogo, Catete, Largo do Machado e Flamengo — em locais de medo. Dados do Instituto de Segurança Pública (ISP) revelam que, de janeiro a maio deste ano, foram registrados 112 furtos de veículos e 23 roubos a pedestres a mais que no mesmo período de 2007 na área do 2º BPM (Botafogo). Sitiada, a população busca alternativas.

Presidente da Associação de Moradores e Amigos de Laranjeiras, Marcos Vinícius Seixas diz que há um ‘toque de recolher natural’, já que todos evitam sair às ruas depois das 20h. Ele criou uma rede de comunicação: “São 500 e-mails cadastrados. Passamos os telefones das polícias, para que qualquer um possa comunicar as emergências”, conta.

Marcos luta por policiamento comunitário. “Pedimos ao secretário de Segurança (José Mariano Beltrame) que a guarda do Palácio Guanabara estendesse o patrulhamento a outras ruas. Se tivesse pelo menos um policial em cada uma das nove áreas do bairro, isso inibiria a ação dos bandidos”, diz.

Quem vai a Botafogo sabe que deve ter cuidado, principalmente nas passagens subterrâneas junto à praia. “As pessoas se arriscam a atravessar as pistas, com medo de serem roubadas no túnel. Os ladrões usam até cacos de lâmpadas”, reclama a presidente da Associação dos Amigos da Praia de Botafogo, Maria Alice Costa.

Junto com ela, o coordenador de esportes do bairro, Gerson Guerreiro, recolhe assinaturas para enviar à Secretaria de Segurança. “Queremos cabine da PM e um quadriciclo para o patrulhamento. Perdemos 30% dos alunos dos projetos esportivos”, lembra Guerreiro.

População de rua é agravante

O secretário municipal de Assistência Social, Marcelo Garcia, afirma que a população de rua cresceu 40% desde o ano passado, devido a fatores como a migração das favelas. “Para não morrer nas mãos de traficantes ou milicianos, muitos fogem de comunidades em Jacarepaguá e Zona Oeste, por exemplo. Mas há a falta de abrigos e as operações em Copacabana e Ipanema, que fazem com que migrem para bairros vizinhos ”, observa.

Em nota, a Secretaria Estadual de Governo informou que as operações CopaBacana e IpaBacana coibem irregularidades e acolhem moradores de rua. O delegado da 9ª DP (Catete), Fábio Costa, reconhece a onda de violência que atinge a Zona Sul. Tanto que mapeou as áreas com maior incidência de roubos: avenidas Augusto Severo e Beira-Mar, na Glória, e Infante Dom Henrique, no Flamengo; Caminho do Aterro; Praia do Flamengo; e ruas da Glória e das Laranjeiras.

“Esses endereços concentram 65% dos roubos. A maior parte dos crimes é cometida por homens entre 20 e 25 anos”, afirma. Segundo ele, não há como fazer patrulhamento ostensivo. “A PM tem conhecimento desse dado”, alerta Fábio. O delegado quer criar um banco de dados para cadastrar adolescentes recolhidos pela prefeitura. A idéia é pedir à Vara da Infância e ao Ministério Público que os coloque em abrigos por mais tempo.

MÃE CRIOU SITE PARA VÍTIMAS

A historiadora Carmem (nome fictício) criou comunidade no Orkut para conscientizar sobre a importância de mobilização. A atitude veio em reação ao assalto que a filha sofreu, há duas semanas, quando voltava da escola, no Catete. Além de roubarem o celular, três homens agrediram a jovem, de 15 anos.

“A intenção era desabafar, para não explodir de raiva. Minha filha ficou quatro dias trancada, com medo de sair de casa. O médico disse a ela que agora é realmente carioca, porque foi assaltada. Não nos resta escolha, a não ser nos mobilizarmos contra todo esse desrespeito que tomou conta da cidade”, diz Carmem, que registrou o assalto e comunicou ao Disque-Denúncia (2253-1177) roubos que colegas da menina sofreram. Procurado, o comandante do 2º BPM (Botafogo), coronel Gilleade Amaro, não retornou.

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