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10/7/2008 01:45:00

Um freio nos acidentes

Hospitais registram queda no socorro a vítimas de desastres. Operação Pressão Total quer reduzir ocorrências pela metade

Rio - Nas duas primeiras semanas da lei de tolerância zero ao álcool no trânsito, o número de atendimentos a vítimas de acidentes diminuiu nos três principais hospitais da Rede Municipal de Saúde do Rio. Houve redução de 14% no Hospital Miguel Couto, 20% no Lourenço Jorge, e 21% no Souza Aguiar, a maior emergência da América Latina. A partir de amanhã, começa a operação Pressão Total do governo do estado, que visa, em um mês, reduzir pela metade o número de acidentes envolvendo álcool. Ano passado, segundo o Detran, 38 mil pessoas foram vítimas de desastres no estado.

A princípio, serão utilizados 15 etilômetros nas vias com maior índice de acidentes na capital, entre elas a Avenida Brasil e a Avenida das Américas, na Barra da Tijuca. Os pontos de fiscalização, porém, não serão fixos. Até o fim do mês, mais 35 aparelhos serão utilizados em blitzes em toda a Região Metropolitana. O Detro oferecerá 22 ônibus com computadores ligados à Internet como apoio à operação.

O prefeito Cesar Maia acredita que seja possível reduzir em mais de 40% os atendimentos nas emergências já no próximo mês: “Se com poucos equipamentos e sem maior organização conseguimos bons resultados, imagine com mais fiscalização e as pessoas acreditando que a lei é para valer”.

Os especialistas também estão otimistas. De acordo com a Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), 60% dos acidentes com vítimas graves ou mortos são causados pelo consumo de álcool. “A nova lei é uma grande oportunidade para reverter a mortalidade no trânsito”, diz Fernando Moreira, especialista em medicina de tráfego.

A diretora do Hospital Miguel Couto, Solange Beviláqua, crê que o atendimento a acidentados de trânsito pode diminuir em até 60%. Ela lembra que em 1999, com a entrada em vigor do novo Código Brasileiro de Trânsito, que impôs a obrigatoriedade do uso do cinto de segurança, a redução do número de atendimentos no hospital chegou a 32%: “O que não pode acontecer é diminuir a fiscalização, principalmente nos fins de semana”.

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