Rio - A criação de um curso superior não será a solução para melhorar a polícia, e sim políticas de governo mais amplas para a segurança pública. É o que defende o advogado e presidente do Instituto de Defensores de Direitos Humanos (DDH), João Tancredo, sobre a criação da Universidade da Polícia, anunciada pelo secretário de Segurança José Mariano Beltrame.
“Não adianta termos policiais formados em universidades, que aplicam uma política de segurança sustentada pela criminalização da pobreza. A polícia tem de combater o confronto. Chega de ser a polícia que mais mata e a que mais morre”, defende.
Para Tancredo, a formação dos policiais militares deve ter como eixo central o respeito aos direitos humanos, servindo a universidade para desenvolver estudos científicos no combate ao crime e não para o extermínio de pessoas. “A polícia, como no caso do menino João Roberto, na Tijuca, não pode ter como primeiro recurso atirar”, explica o advogado.
E acrescenta: a segurança pública não é um caso de polícia. “Temos que investir maciçamente em políticas de governo para o setor, indo além de um curso superior, o qual não será a solução para melhorar a situação em nosso estado”.