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15/7/2008 01:45:00

Veneno combatido com mais veneno

PM que teria sofrido atentado acusa o delegado Marcus Neves, da 35ªDP (Campo Grande), de usar policiais suspeitos em operações contra grupos paramilitares armados. Ações, no entanto, seriam autorizadas pela cúpula da Segurança Pública

Rio - O soldado do 27º BPM (Santa Cruz) Júlio César Ferraz — que teria sido vítima de atentado domingo em Inhoaíba, Zona Oeste — acusou ontem o delegado da 35ª DP (Campo Grande), Marcus Neves, de usar um PM e um ex-PM investigados por integrar máfia de vans e milícia da Zona Oeste em ações contra grupo paramilitar rival. O delegado afirmou que seus superiores estão cientes do apoio da dupla.

Ele se referiu ao sargento do 25º BPM (Cabo Frio) Francisco César Silva Oliveira, o Chico Bala, e o ex-PM Herbert Canijo da Silva, o Escangalhado, que seriam rivais do vereador Jerônimo Guimarães Filho, o Jerominho, e do deputado estadual Natalino José Guimarães, acusados de comandar ‘Liga da Justiça’.

O PM e o ex-PM foram investigados por homicídios de rivais. Com camisas da Polícia Civil, eles participaram desde sábado das prisões de sete PMs suspeitos de integrar milícia. “São informantes, com conhecimento do secretário de Segurança, e vão continuar. Ofereceram ajuda e aceitamos. Não há nada contra eles atualmente. São acompanhados por delegados e, se fizerem algo errado, serão presos”, argumentou Neves.

De fuzil e a caminho de uma diligência Chico Bala explicou sua participação nas operações: “É o mínimo que posso fazer. Já mataram minha mulher e meu enteado, não tenho mais nada a perder. Não quero me vingar, estou aqui para servir à sociedade. Estou cobrando deles, mas dentro da lei”.

Diretor do Departamento de Polícia Especializada (DPE), delegado Allan Turnowski, disse que não há irregularidade. “Usam colete para não ter problemas. Se o colaborador tem um passado, mas sabe das coisas e pode nos ajudar, uma coisa não tem nada a ver com a outra”, justificou.

O soldado Ferraz disse que foi atacado em frente de casa, na Rua Santo Saturnino. Para ele, o motivo do atentado seria a apreensão em 2003 de uma arma irregular com um bombeiro, conhecido como Gaguinho, integrante de milícia e amigo de Chico Bala. Ferraz disse ter reconhecido como Escangalhado um dos ocupantes do carro usado no ataque. “Ele estava no banco da frente”, afirmou.

Na Delegacia Supervisora de Dia, Ferraz disse que soube que Gaguinho havia ido à 35ª DP e dito que jogaria granada em sua casa. Ele tentou duas vezes registrar o ataque na 35ª DP, mas o delegado Eduardo Soares não aceitou a queixa. Segundo os policiais civis, Escangalhado e Chico Bala estavam em uma operação legal e não houve tiros.

Sargento é preso e liga para o 190

O ex-sargento PM Airton Padilha de Meneses, 42 anos, foi preso em Cosmos, acusado de ser o responsável pela arrecadação de Fabinho Gordo, um dos milicianos de Campo Grande. O sargento foi flagrado na rua com uma pistola calibre 45. Ao se ver cercado, ligou para o 190 da própria polícia pedindo ajuda. Em sua casa, havia cartazes de campanha da candidata Carminha Jerominho, filha do vereador e candidata à Câmara Municipal.

Na residência, também foram apreendidas mais três armas, talões de cheque, duas motos e um veículo Celta. Indiciado por formação de quadrilha, porte ilegal e triplo homicídio de PMs do 23º BPM (Leblon), Padilha também é apontado como motorista de Jerominho.

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