Candidato à reeleição em São Gonçalo, Geiso Pereira Turques não declarou lancha comprada por R$ 8 mil, estimou em R$ 30 mil mansão de R$ 400 mil e carros foram subvalorizados por metade do preço de mercado
Rio - Investigado por ligação com a milícia de Rio das Pedras, o vereador Geiso Pereira Turques (PDT), candidato à reeleição pela Câmara de São Gonçalo, subvalorizou e omitiu dados de sua declaração de bens ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE). O sargento da PM escondeu uma lancha em seu nome e ainda declarou que sua mansão em Jacarepaguá vale apenas R$ 30 mil. Os carros também estão registrados com preços bem abaixo dos encontrados no mercado.
Escritura no 9º Registro Geral de Imóveis aponta que Geiso comprou, em janeiro de 2007, uma casa avaliada em R$ 400 mil no condomínio Bosque dos Esquilos. A negociação foi acertada com entrada de R$ 200 mil e 48 parcelas mensais de R$ 6.140. A mansão — que ele afirma ao TRE custar dez vezes menos do que seu valor de compra — tem 199 metros quadrados construídos, dois andares e piscina.
EMBARCAÇÃO E CARROS
Geiso também não declarou sua lancha comprada em 10 de junho de 2002. Inscrita na Capitania dos Portos, em Cabo Frio, a embarcação, chamada Pitita Rio, tem 7,20 metros de comprimento e custou R$ 8 mil, segundo a escritura no Ofício de Notas e Registro de Contratos Marítimos.
Na Justiça Eleitoral, Geiso ainda declara ter um Vectra de R$ 30 mil e uma Toyota Hilux 2007 de R$ 40 mil. Em concessionárias, os carros são encontrados por, no mínimo, o dobro do preço. O PM completa sua prestação de contas ao listar uma máquina retroescavadeira de R$ 37 mil.
Apesar das mentiras, nada pode ser feito. Não há no País qualquer lei eleitoral que impeça um candidato de omitir ou subavaliar, por exemplo, seus imóveis e carros na Justiça. Geiso — que até hoje se apresenta como dono do Castelo das Pedras apesar de não configurar mais na composição societária — já foi réu em seis processos na Justiça, um deles referente a homicídio e outro a tortura.