Rio - A Vigilância Sanitária Estadual fez nesta sexta um alerta para que a população “não venda ou consuma qualquer tipo de pescado de água doce”. De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde e Defesa Civil, o pesticida Endosulfan, que vazou no Rio Paraíba do Sul no mês passado, após acidente na indústria Servatis, pode causar diversos males à saúde humana.
Devido ao problema, a vigilância orienta que a população espere a conclusão de laudos de análises da qualidade da água e do pescado comprovando a segurança para o consumo. “Esse pesticida pode provocar desde intoxicações rápidas, que causam diarréia, alergias de pele e irritações gástricas, até alterações no sistema nervoso caso ocorra consumo freqüente e exagerado”, afirmou ontem o superintendente de Vigilância em Saúde da Secretaria Estadual, Victor Berbara, acrescentando que o problema concentra-se na Região do Médio Paraíba.
Berbara ressalta que não é possível detectar a presença do pesticida pelo paladar. “ O pesticida fica impregnado na carne e não ocorre alteração no sabor do peixe. Também não se nota alteração na aparência do produto”, diz e o superintendente, acrescentando que o alerta em relação ao consumo é uma medida cautelar.
O vazamento de 1.500 litros do pesticida ocorreu na madrugada do dia 18 de novembro, causando uma grande mortandade de peixes, que apareceram mortos no Rio Pirapetinga, afluente do Rio Paraíba do Sul, em Resende. A Agência de Meio Ambiente da cidade já havia divulgado um alerta para que não fossem consumidos peixes e águas do Paraíba do Sul. Mas foi detectada a venda de peixes na região.
Devido ao acidente, a captação de água do Paraíba do Sul foi suspensa em uma estação de tratamento de Barra Mansa. Em nota, a Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente (Feema) esclareceu que o rio não seria afetado pelo vazamento. Foi constatado que o produto tóxico vazou durante o descarregamento de um dos caminhões da Servatis, indústria de produtos químicos que fazia o transporte. A empresa foi autuada.