Rio - Clarice Falcão tem apenas 19 anos, estuda cinema e gosta de assistir TV. Coadjuvante na novela das oito, Clarice Falcão poderia ser mais um dos novos rostos que aparecem todo ano na TV, mas tem algo mais para contar.
Ano passado, Clarice foi uma das responsáveis pelo curta-metragem “Laços” (http://www.youtube.com/watch?v=_2rnl0IzR_M), ganhador do concurso internacional Project: Direct, promovido pelo YouTube em parceria com o Sundance Film Festival, meca do cinema independente norte-americano. O filme será mostrado fora da mostra oficial nos EUA.
Não bastasse isso, este ano um novo vídeo que ajudou a escrever e dirigir foi selecionado entre os dez melhores na segunda edição da competição. “Chamada em Espera” (http://www.youtube.com/watch?v=_VPFhjvZqx8) foi escolhido por um júri comandado pelo diretor cult Darren Aronofsky. Nesta entrevista, ela fala do concurso e da iniciativa de filmar para a Web.
1. “Laços” foi sua primeira produção audiovisual? De onde surgiu a idéia?
Na verdade, não foi, eu já tinha feito dois outros curtas. Mas o “Laços” teve uma visibilidade muito maior, e inclusive fez algumas pessoas se interessarem e saírem procurando os curtas anteriores - o que me deixou muito feliz. A idéia de fazer o curta apareceu quando eu e o amigo que protagoniza o curta comigo (Célio Porto) soubemos da existência do concurso. E eu espero que já que um curta brasileiro ganhou a primeira edição, outras pessoas se animem pra participar também.
2. Como o YouTube e a web ajudam a mostrar novos talentos?
Principalmente influenciando os novos talentos a produzirem. Dá muito mais vontade de inventar coisas quando você sabe que vai ter onde colocar essas coisas para as pessoas verem sem precisar conseguir patrocínio ou uma distribuidora ou um gênio da lâmpada. Eu não sei se eu teria feito o (pouco ainda) que fiz se achasse que só ia mostrar pra vinte pessoas e depois ia ter que engavetar.
3. Você teve outro filme selecionado no concurso. Para quem quiser participar de outras edições, que características, na sua opinião, influenciam a escolha?
Em primeiro lugar, eu acho que as restrições dadas pelo concurso são importantes. Se o concurso pede que o seu filme tenha um abacaxi, por exemplo, invente um enredo onde o abacaxi seja importante, ou pelo menos entre de um jeito charmoso na história (pelo menos o quão charmoso quanto um abacaxi pode entrar). Colocar um abacaxi escondido numa mesa, lá no fundo, em um corredor pelo qual um personagem passa, fica parecendo que a história foi feita independentemente das restrições.
4. Acha que é preciso ter estrutura profissional para concorrer?
De jeito nenhum. Acho que uma boa idéia ganha de qualquer câmera moderna. Se alguém inventa uma história que acha que vale a pena ser contada mas não tem nenhum recurso, acho que vale até aloprar e fazer com câmera de celular. O “Laços”, por exemplo, não ganhou porque era tecnicamente perfeito. Estava longe disso. Ganhou porque as pessoas gostaram de ver aquela história acontecer.