Rio - No início o computador ficava sobre a mesa (desktop). Agora ele é a própria mesa. Chama-se Surface a máquina futurista apresentada pela Microsoft na semana passada. O computador tem tela de 30 polegadas e dispensa teclado ou mouse. A interação é feita pelo toque, por voz, ou pelo contato direto com outros dispositivos.
Para mover objetos no computador, em vez de o usuário apontar o mouse e clicar, ou pressionar uma combinação de teclas, basta encostar o dedo sobre a tela.
O Surface pode ser usado, por exemplo, numa loja de celulares. O cliente precisaria apenas deixar o telefone sobre a mesa para acessar um software com o qual compraria novos ringtones ou mudaria de plano.
O conceito surgiu em 2001 e se tornou produto final. Os primeiros modelos serão entregues em novembro a clientes corporativos, como hotéis da rede Sheraton, cassinos e restaurantes. O Surface custará entre 5 mil e 10 mil dólares (entre 10 mil e 20 mil reais), mas a Microsoft espera que em cinco anos os preços sejam acessíveis ao consumidor final.
O aparelho tem 1,06 metro de comprimento por 53 centímetros de largura e 55 centímetros de altura, usa sistema operacional Windows Vista e tem suporte a conexões sem fio Wi-Fi 802.11 e Bluetooth 2.0.
O Surface usa câmeras que percebem objetos, movimentos e o toque. É baseado nessa interação física com o usuário que o computador processa as informações e projeta os resultados na tela.
A expectativa da Microsoft é ambiciosa. Em comunicado, a empresa afirma que, assim como os caixas eletrônicos mudaram a forma de lidar com dinheiro, o Surface transformará a maneira de interagir com conteúdos do dia-a-dia, como fotos, músicas e jogos.
Pacote multimídia
As primeiras versões do computador de superfície serão despachados com um pacote básico de aplicativos, que inclui manipulação de fotos, música e jogos. Os programas podem ser adaptados para atender às necessidades específicas dos primeiros clientes, no caso, hotéis, restaurantes e cassinos.
Ao contrário dos computadores atuais, o Surface pode ser usado por várias pessoas ao mesmo tempo. A tela do computador reconhece múltiplos pontos de contato simultâneos, não apenas um de cada vez como um touchscreen convencional. Além disso, por sua disposição horizontal, ele permite que vários usuários sentem-se ao seu redor e trabalhem ao mesmo tempo.
Stevie Bathiche e Andy Wilson, pesquisadores da Microsoft, começaram a trabalhar a idéia de uma superfície com poder computacional em que objetos pudessem ser manipulados pelo toque físico. O conceito de computador com tela sensível a múltiplos toque simultâneos já vinha sendo trabalhado por outros pesquisadores em universidades.
O projeto foi levado em 2003 a Bill Gates, que deu sinal verde. O primeiro protótipo surgiu pouco depois. Os primeiros programas incluiam um visualizador de fotos, um jogo de pinball e um quebra-cabeças.
Só então os pesquisadores perceberam o potencial da tecnologia e as possíveis aplicações além de jogos, como a interação por meio de dispositivos, como o celular. Mais de 85 protótipos foram construídos para pesquisas de hardware e software antes do produto final.