BANGCOC - O governo militar interino da Tailândia bloqueou o acesso dos internautas do país ao site de vídeos YouTube na quarta-feira, depois que o Google, dono do site, recusou retirar um clipe que zomba o monarca do país.
O ministro das Comunicações, Sitthichai Pookaiyaudom, disse à agência Reuters que ele ordenou o bloqueio de todo o site no país depois das tentativas do ministério para a retirada do vídeo na semana passada.
"Uma vez que o Google rejeitou nossos repetidos pedidos para a retirada do vídeo, nós não podemos deixar de bloquear todo o site na Tailândia", disse Sitthichai, um professor de telecomunicações que afirma ter passado a maior parte de sua vida acadêmica pesquisando aparelhos de espionagem. "Quando eles decidirem retirar o vídeo, nós vamos encerrar o bloqueio", acrescentou o ministro.
O YouTube tem entre seus milhões de vídeos um clipe de 44 segundos que ridiculariza uma foto do rei Bhumibol Adulyadej, o monarca a mais tempo no poder no mundo e que é reverenciado pelos 63 milhões de tailandeses.
O usuário que enviou o vídeo, que já foi visto mais de 16 mil vezes, chama-se "paddidda" e tem sido duramente atacado pela maioria das pessoas que comentam o vídeo no YouTube.
"O rei é a figura mais venerável do país, ele é intocável", disse Metha Sakaowrat, presidente do Clube de Imprensa da Tecnologia da Informação, que reúne repórteres de tecnologia da Tailândia.
Sitthichai informou que o YouTube afirmou a autoridades tailandesas que não considerou o vídeo ofensivo e que por isso rejeitou o pedido para a retirada da peça.
Representantes do YouTube ou do Google, que pagou 1,65 bilhão de dólares pelo site, não estavam imediatamente disponíveis para comentar o assunto.
O trecho mais ofensivo aos budistas tailandeses foi uma justaposição de pés femininos, a parte mais baixa do corpo, acima da cabeça do monarca, a parte mais alta do corpo.
Criticar ou ofender a realeza é crime na Tailândia. Aqueles considerados culpados podem ser condenados a até 15 anos de prisão.
As informações são da Reuters