Rio - Na infância da Internet, as pesquisas eram dominadas pelo Yahoo!, com sua estrutura de catálogo, e pelo Altavista, mais eficiente nas buscas, embora menos amigável. Até surgir o Google com sua fórmula revolucionária e tomar conta do mercado. Esta semana, nasceu com muito barulho uma nova ferramenta de busca chamada Cuil, cujo principal mérito é ter entre seus criadores ex-engenheiros do Google, e que pretende desbancar o todo-poderoso das buscas.
Cuil é a palavra celta para conhecimento, e tem pronúncia igual a "cool", gíria em inglês para bacana. Segundo seus criadores, a ferramenta é capaz de indexar uma porção maior da Internet do que o Google, e de maneira mais rápida e barata.
O Cuil traz uma abordagem diferente para a busca. Em vez de considerar mais relevantes sites com mais links e audiência, a nova ferramenta analisa o contexto de cada página e o conceito por trás de cada pesquisa.
PONTOS FRACOS
Segundo o blog Search Engine Land, o Cuil pode atacar características do Google que são alvo de queixas freqüentes: tentar englobar tudo, o que acaba apontando para sites muito visitados e conhecidos, e se basear demais em sites de referência, como a Wikipedia.
O Cuil alardeia ter mais de 120 bilhões de páginas indexadas. Além da abordagem nas pesquisas, a estrutura de navegação também é diferente. A home, em www.cuil.com, é tão espartana quanto a do Google, mas com fundo preto. Os resutados da busca não aparecem numa lista de endereços com um resumo do conteúdo, mas em colunas verticais, acompanhadas de imagens. O usuário escolhe se prefere três colunas ou duas, formato provavelmente elaborada de olho nos usuários de smartphones.
Outro ponto interessante é que tópicos relacionados ao termo na busca surgem dispostos numa barra vertical à direita, ou mesmo dispostos acima, na horizontal.
Por enquanto, o Cuil está otimizado para o inglês americano (o Google já está adaptado para mais de 40 idiomas), com a promessa de se adaptar aos principais idiomas falados na Europa ainda este ano.
O internauta brasileiro não deve esperar muito, ao menos por enquanto. Na segunda-feira, por exemplo, uma pesquisa por Tim Maia não apresentava resultado algum. Ontem, já apareciam referências à biografia do cantor e sites com letras, perfis e downloads de músicas.
Por enquanto, o Cuil é uma promessa. Pode tanto repetir o feito do Google, quanto se tornar mais uma start-up que não deu certo.
Time de pioneiros
Pioneiros das buscas na Internet criaram a ferramenta que pretende abalar o domínio do Google.
Tom Costello, o principal executivo da empresa, criou sistemas de buscas pioneiros para a IBM. Sua esposa, Anna Patterson foi a criadora do TeraGoogle, um sistema de indexação de páginas.
O casal de juntou a outros dois colegas de Mountain View: Russell Power e Louis Monier. O segundo foi executivo-chefe no Altavista e no BabelFish, primeiro tradutor online, e redesenhou o sistema de buscas do eBay, maior site de leilões do mundo e referência de sucesso.
A empresa Cuil foi fundada em 2006 em Menlo Park, Califórnia e conseguiu reunir 33 milhões de dólares de investidores. Foram gastos 5 milhões de dólares para que chegar ao estágio atual.
Enquanto o Cuil alega ter 120 bilhões de páginas indexadas, o equivalente a três vezes mais do que o Google e dez vezes mais do que o Live Search, da Microsoft, o Google argumenta que fornece mais resultados relevantes.