Rio - Para um aparelho feito de metal e plástico e que usa corrente elétrica, a praia é um ambiente muito hostil. Alta temperatura, água, areia, maresia, e tudo que faz a alegria dos banhistas é um inferno para aparelhos eletrônicos. Portanto, antes de levar seu notebook para acessar a Internet de graça na praia, é bom ter idéia dos riscos que irá correr.
Segundo Keithy Costa, supervisor do laboratório Fix Computer, o pior inimigo do notebook é a maresia, que pode enfurrujar toda a parte interna do computador, principalmente a placa-mãe. O laboratório, onde são consertados em média cem notebooks por mês, já recebeu vários corroidos pela maresia. “Já vimos vários casos gente que mora na orla e teve o equipamento danificado pela maresia”, conta.
SEM GARANTIA
Segundo Costa, não há como proteger o notebook dos efeitos nocivos a longo prazo. E para piorar, a maresia está entre os chamados agentes naturais que a garantia não cobre. Outro inimigo insidioso é a areia. Ela pode arranhar o chassi do notebook, entrar pelas portas USB e outras conexões, embrenhar-se pelo teclado e atingir os componentes internas, provocando corrosão em qualquer elemento que tiver ferro em sua composição. E também pode estragar a tela (LCD). Uma rajada de vento pode, por exemplo, lançar grãos de areia contra a tela, deixando marcas, explica o supervisor. Teria o mesmo potencial de danos que bater com uma caneta ou outro objeto na tela para apontar um trecho.
SUPERAQUECIMENTO
O sol forte é outro perigo. Além de prejudicar a visualização da tela, uma das partes mais sensíveis do notebook, ele aumenta a temperatura interna, o que pode superaquecer o processador e outros componentes. O chassi, feito de plástico e fibra, pode ficar desgastado ou até mesmo ser deformado pelo calor intenso.
Líquidos também têm grande potencial de destruição. Ao cair sobre um notebook aberto, por exemplo, ele pode atravessar a membrana do teclado (parte que fica abaixo das teclas e faz o contato propriamente dito) e atingir os componentes internos. No caso de um banho involuntário, torça para o micro estar desligado. Nesse caso é possível limpá-lo e usar um secador apropriado para fazer o líquido evaporar. O perigo é se o computador estiver ligado, pois podem ocorrer curtos-circuitos capazes de queimar componentes.
CUIDADOS: ENERGIA, TRANSPORTE E LIMPEZA
A energia pode ser outro problema. Atualmente, todas as fontes para notebooks são bivolts, funcionando tanto em redes em 110 ou 220 volts, o que elimina as chances de estragar o equipamento por incompatibilidade de voltagem. Contudo, uma rede elétrica pouco confiável, sujeitas a picos de luz, podem provocar uma sobrecarga e estragar a fonte ou o próprio notebook.
A fonte pode causar estragos, no caso de transporte inadequado. As mochilas e malas acolchoadas para notebooks ajudam a prevenir danos por quedas e impactos. Contudo, se for acondicionada junto com a parte superior do notebook, onde fica a tela, a fonte pode ampliar o dano de um impacto, quebrando o LCD.
Segundo o professor Laércio Vasconcelos, autor de vários livros sobre montagem e manutenção de computadores, os notebooks não são projetados para uso em ambientes como a praia. “Só vale a pena se você quiser estragá-lo para ganhar um novo. O melhor é deixar o notebook em casa e levar um tabuleiro de xadrez”, brinca.
Se a conexão à beira-mar for inevitável, lembre-se de limpar o notebook com uma flanela seca e macia e usando produtos de limpeza específicos para computador, que não contêm abrasivos.