Rio - Twitter, Flickr, Facebook, YouTube, Google Talk... Não pára por aí o arsenal de que Barack Obama lançou mão para alcançar a Presidência dos EUA. Conquistado o posto, o ex-senador mantém a participação ativa nos sites mais visitados do país e promete usar a Internet com objetivos maiores do que a divulgação de ações e projetos. As mídias sociais são as armas escolhidas para estreitar o relacionamento com cidadãos norte-americanos e reforçar a participação social nas decisões do Governo.
Não faltam áreas de comentários e atualização constante dos novos perfis, agora a cargo da Casa Branca, para garantir a interatividade dos sites. Além de investimentos pesados em tecnologia da informação e infra-estrutura para o acesso à Internet banda larga, um projeto em andamento é o Recovery.gov, em que o foco são transparência e colaboração de internautas.
A iniciativa vai contar com a participação de cidadãos dos EUA para fiscalizar o uso de recursos investidos na recuperação do país, que enfrenta séria crise financeira. Eles poderão enviar vídeos e relatos para mostrar o impacto local das ações. Para analistas, a iniciativa pode ser um ensaio para o uso de ferramentas tecnológicas em uma nova fase da democracia.
“Os americanos têm voto facultativo e uma cultura mais individualista. Com a Internet e comunidades online, consolidadas por lá, eles podem manter a autonomia e, ao mesmo tempo, se engajar em uma causa”, avalia Adilson Cabral, professor da UFF.
O governo Obama, que tem um diretor de Novas Mídias e contratou uma ex-funcionária do Google para pensar estratégias digitais, anunciou ainda que vai divulgar leis que estiverem prestes a serem assinadas no blog da Casa Branca para ampliar o debate público. Textos de projetos menos urgentes ficarão disponíveis por cinco dias.
Para Adilson, a tática de aproveitar redes de articulação social não é nova, mas materializa uma convergência de várias forças. “Além de estar nas redes, a campanha tinha um discurso adequado aos diferentes grupos da sociedade com informação e plataforma política moldadas à mensagem de mudança e inovação ”, afirma. Cabral ainda lembra que o candidato aplicou 8,5 milhões de dólares em web 2.0 na eleição.
Obama apostou em sites de relacionamento, YouTube, blogs e fotologs. Os eleitores tinham à disposição farto material audiovisual para compartilhar, podiam atuar em comunidades virtuais, dialogar com blogueiros, usar agregadores de links e até conversar pelo Google Talk com apoiadores. A rede formada em torno do candidato foi crucial para a vitória de Barack Obama.
“No Brasil, uma estratégia parecida alcançaria apenas militantes, mas dificilmente garantiria uma eleição majoritária. Funcionaria melhor com um vereador de nicho, que dialoga com público menor. Não dá para confundir o universo de eleitores com o público da Internet no Brasil”, explica o especialista.
Em outro ritmo
Enquanto os EUA mobilizam eleitores pela Internet, por estas bandas falta garantir acesso universal, serviços básicos e regulação para a Web.
Em 2008, o Tribunal Superior Eleitoral proibiu a campanha pela Internet nas eleições municipais. Só sites oficiais podiam participar.
No cotidiano do governo brasileiro, a Web 2.0 não tem muito espaço apesar de experiências isoladas como o Twitter do Ministério da Cultura (@culturagovbr).
O esforço tem sido mesmo no campo da Inclusão Digital e do Software Livre. Criação de telecentros com PCs públicos e acesso gratuito à internet, banda larga liberada e estímulo ao uso de open-source são as faces mais vísiveis da política do Governo Lula para a Internet até agora.
Para ter popularidade na Web: Roberto Cassano, especialista da Agência Frog, dá dicas para ficar bem na fita nas redes sociais:
AMIGOS REAIS
De que adianta ter centenas de amigos que não sabem quem você é?
COERÊNCIA
Seja autêntico e siga uma “linha editorial”, mesmo que assuma um personagem.
CROSS-POSTING
Crie links para atualizações no blog, Twitter e Orkut que tenham a ver com o tema.
REGULARIDADE
Vale mais atualizar um pouco todo dia do que ficar ligado direto uma vez por semana.
ASSUNTOS
Os mais populares na rede são sexo, relacionamento, tecnologia, consumo.
FAMILIARIDADE
Tenha um avatar fixo com a mesma foto e garanta seu nome nas redes sociais.
BOM SENSO
Não use a Internet para suprir carências reais, nem faça tudo pela fama.
SOCIABILIDADE
Não fique na sua e converse em tópicos e comunidades, um pouco todo dia.