Rio - Santa Teresa é a nova princesinha do Rio. Nunca se viu tanto turista passeando pelas ruas do bairro. A grande maioria é de estrangeiros à procura de maior contato com a cultura e o charme da região. Prova disso é o aumento no número de hospedagens. Hoje, a região conta com 617 leitos em nove hotéis e pousadas, além das 50 residências do programa de hospedagem familiar Cama & Café. Há cinco anos não havia mais do que dois hotéis caquéticos.
“Os moradores são simpáticos. Parece que estamos no subúrbio e ao mesmo tempo muito perto do Centro”, comenta o jornalista inglês Matthew Evans, 33 anos. Ele e a namorada, Judy Slenner, 31, “se mudaram” para o bairro assim que o visitaram, no terceiro dia na cidade. “Foi uma surpresa conhecer um local tão interessante”, diz Judy.
O clima de cidade do Interior encanta os turistas. Bastou passar uma noitada de samba no Simplesmente para a estudante americana Amanda Earley, 21, começar a ser cumprimentada na rua pelos moradores. “Aqui todo mundo acaba se conhecendo e se cumprimenta na rua. Parece que moro aqui há anos”, observa Amanda.
Mais tímida, a israelense Orit Amsterdam Scialom, 29, preferiu curtir o clima artístico de Santa em caminhadas pelo bairro. “Aqui circulam vários tipos de pessoas. É legal curtir essa fauna, além de apreciar a arquitetura e o artesanato locais”, diz.
Os aspectos cultural e histórico atraíram o casal de médicos franceses Alain, 57, e Martine Masseguin, 56, que buscava também novos conceitos de hospedagem. “Aqui parece que estamos na casa de um amigo”, compara Alain. De olho no turismo, a Secretaria Estadual de Transportes vai reformar o maior símbolo de Santa. Os bondinhos ganharão novo layout e motor.
O secretário municipal de Turismo, Rubem Medina, lembra que o bairro sempre foi hospitaleiro e recebeu turistas. “A diferença, hoje, é a maior organização”, ressalta. No entanto, há quem veja com desconfiança o desenvolvimento. “Santa Teresa não comporta tanta gente. O trânsito já está um caos”, reclama Paulo Saad, presidente da associação de moradores do bairro.
Cinco estrelas abre em dezembro
Depois dos albergues e do Cama & Café, Santa Teresa aposta em turistas mais sofisticados dispostos a pagar por maior conforto e atendimento personalizado. É cada vez maior o número de casarões que se transformam em pequenas e aconchegantes hospedagens com serviços de hotel cinco estrelas.
Há duas semanas, foi inaugurado o Rio 180 graus, com oito suítes e diária entre R$ 650 e R$ 850. Todos os quartos possuem banheira de hidromassagem e uma bela vista da cidade. O empresário francês Jean-Christophe Morois investiu R$ 2 milhões no negócio e espera atrair o público europeu, acostumado ao conceito de hotel de charme. “Acho que o bairro tem um potencial ainda pouco explorado. Principalmente para hotéis informais com serviços diferenciados”, analisa Morois.
O empresário não é o único estrangeiro apaixonado pelo bairro. Além dos proprietários dos também sofisticados Mama Ruisa e Solar de Santa, outro francês reinaugura em dezembro o Hotel Santa Teresa. François Dellort planeja abrir o primeiro hotel cinco estrelas da região, que contará com 45 suítes e custou R$ 10 milhões.
Apesar da diária salgada, em torno de 250 dólares (R$ 523), pesquisa indica taxa de ocupação média de 85% no hotel durante todo o ano.